quarta-feira, julho 27, 2005

“Crash” (2005), Paul Haggis



Its the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In LA, nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something.

Depois de ter escrito o fabuloso argumento de “Million Dollar Baby”, Paul Haggis dá cartas como realizador, tarefa na qual se saiu muitíssimo bem em “Crash”.

A acção decorre em Los Angeles, cidade que é pano de fundo para uma galeria numerosa de personagens que de alguma maneira estão interligadas.
“Crash” dá-nos um retrato da vida quotidiana de várias pessoas e os problemas que advém das suas diferenças culturais, sociais, raciais e económicas.

Focando especialmente os temas do racismo e xenofobia, este filme centra-se sobretudo nas relações pessoais e nos problemas de relacionamento e aproximação das sociedades modernas.
A vida destas pessoas acaba por entrar em colisão a partir do momento em que certos acontecimentos as levam a cruzar-se (após um acidente de viação) criando uma atmosfera pesada e trágica entre elas.

“Crash” mostra-nos os “muros” que existem hoje em dia entre as pessoas, a falta de “laços” que criamos com os que nos estão próximos e a alienação e distância que procuramos manter com os outros.
Este filme apela sobretudo aos sentimentos de quem o vê, à proximidade que nós podemos criar com os outros e à falta desse tal “toque” especial que hoje em dia escasseia nas relações humanas.
Porque tal como a personagem de Don Cheadle refere no filme, hoje em dia só notamos nos outros quando estes chocam contra nós…

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domingo, julho 17, 2005

“Aaltra” (2005), Benoît Delépine e Gustave Kervern



Um road-movie em cadeira de rodas

“Aaltra” retrata a história de dois vizinhos que se odeiam e que tudo fazem para se provocarem mutuamente. Quando ambos têm um acidente no tractor agrícola de um deles e ficam paraplégicos, decidem unir forças e partir numa viagem até à Finlândia para pedir uma indemnização à empresa construtora do tractor.

Filmado a preto e branco, esta pequena “odisseia” em cadeira de rodas apresenta-nos dois anti-heróis com os quais sentimos uma grande empatia por serem pessoas mais que normais, divertidas e estúpidas.
O humor negro é mais que muito e pode até causar “embaraço” aos mais susceptíveis.

O que este filme tem de bom é a espontaneidade e naturalidade dos acontecimentos (ou não fossem a maioria dos diálogos improvisados), aliadas a um humor bastante refinado e inteligente.
Duma luta entre dois seres que se odiavam, passamos a testemunhar o nascimento de uma amizade.
Para além disto, “Aaltra” é uma interessante caricatura aos sítios por onde estes dois homens passam e à vida quotidiana das pessoas com quem convivem.

O filme vive também às custas dos seus dois actores/realizadores/argumentistas, Benoît Delépine e Gustave Kervern que apostam sobretudo nos grandes silêncios e na comédia negra e de mau gosto.
Porque nem tudo na vida tem de ser levado a sério.

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domingo, julho 10, 2005

“Reinas” (2005), Manuel Gómez Pereira



Ofelia, Magda, Reyes, Helena e Nuria são cinco mulheres muito modernas e excêntricas que têm em comum o facto de terem filhos homossexuais.
Estas mulheres vão “salvar” os seus filhos dos mais diversos e divertidos sarilhos com o intuito destes poderem vir a ser os protagonistas do primeiro casamento gay de Espanha.

“Reinas” estreou no momento certo, agora que a luta pelos direitos dos casamentos dos homossexuais parece estar na ordem do dia (especialmente em Espanha onde a lei foi aprovada recentemente).
Mas mais do que um filme levezinho sobre uma temática que não deve ser levada de ânimo leve, “Reinas” é um filme que se centra nestas cinco mulheres e nas suas próprias personalidades. Constatamos que são elas as tais “rainhas” a que o titulo se refere, as mães capazes de tudo fazer para ver os seus filhos felizes.

Uma divertida e leve comédia que acompanha as peripécias, intrigas, paixões e segredos destas mães e dos respectivos filhos.

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quinta-feira, julho 07, 2005

“Batman begins” (2005), Christopher Nolan



I'm Batman!

O novo filme de Christopher Nolan (realizador de “Memento” e “Insomnia”, ambos bons filmes) explora a transformação de um homem comum num herói, ou seja, como Bruce Wayne se transformou em Batman.

Depois do assassinato dos pais, o jovem Wayne viaja pelo mundo à procura de formas de combater a injustiça e enfrentar os seus medos.
Quando regressa a Gotham City descobre o seu alter-ego que simboliza o reconhecimento das suas fraquezas: Batman.
É com esta nova identidade que Bruce Wayne vai combater o crime e a corrupção na cidade de Gotham.

“Batman begins” é um filme mais realista que os anteriores uma vez que nos pretende mostrar o lado humano do super-herói e as suas origens. A acção centra-se basicamente no interior de Bruce Wayne.
Talvez por não ser grande fã deste género, achei que o filme não tinha grande “essência” e que se baseia muito na premissa “bons contra maus”, no qual os bons ganham, como sempre.
Mais que isso não encontrei, além do fantástico elenco (Christian Bale, Liam Neeson, Michael Caine, Morgan Freeman e Tom Wilkinson).

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domingo, julho 03, 2005

“Feux Rouges” (2005), Cédric Kahn



Baseado num romance de Georges Simenon, “Feux Rouges” descreve a viagem de Antoine e Hélène, um casal de Paris que pretende ir até Tours ao reencontro dos filhos que estão num campo de férias.
O trânsito encontra-se intenso tal como é a tensão entre o casal. Para escapar e esquecer as discussões com a mulher, Antoine (Jean-Pierre Darroussin) começa a beber e, por consequência, a conduzir de forma bastante perigosa.
Depois de uma discussão mais grave, Hélene (Carole Bouquet) decide seguir viagem sozinha de comboio e assim os dois seguem por caminhos separados.

“Feux rouges” concilia um estilo de suspense bem ao género dos filmes de Claude Chabrol e Alfred Hitchcock mas, além disso, é também um drama familiar.
Vemos as tensões presentes no casal, os olhares furiosos e os silêncios constrangedores.
É um filme sobre uma crise conjugal mas que está disfarçado num thriller.
Especial destaque para o casal de actores.

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Live 8



Music makes the people come together

http://www.live8list.com/en/live8list.html

quarta-feira, junho 29, 2005

“Somersault” (2005), Cate Shortland



Inocência perdida

Fazer um filme que retrata a época conturbada da adolescência é um tema bastante recorrente. Uns optam por fazer uma sátira recheada de meninas e meninos bonitos sem grande interesse a nível de carácter de personagens, festas coloridas e muita parvoíce à mistura. Outros, como Cate Shortland, optam por se centrar nas confusões emocionais dos adolescentes.

Heidi (Abbie Cornish) abandona a casa materna e parte à aventura e à descoberta de si mesma. Sem grandes perspectivas do que fazer, Heidi entrega-se a uma existência solitária. Com o fim de sobreviver, a jovem mantém varias relações sexuais com estranhos para suplantar o seu próprio vazio interior e o desejo de ser amada.

A busca de uma outra casa é a própria busca interior de Heidi, uma viagem que pretende ser de maturação da própria personagem.
Abbie Cornish está fantástica na pele desta rapariga insinuante que não sabe muito bem o que quer. Aliás é a sua interpretação que faz com que o filme tenha resultado tão bem.
“Somersault” é um bom filme e um excelente primeiro trabalho cinematográfico da australiana Cate Shortland.

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domingo, junho 19, 2005

“Mr. & Mrs. Smith” (2005), Doug Liman



What a web of lies!

Jane Smith (Angelina Jolie) e John Smith (Brad Pitt) são um casal há 5 ou 6 anos e estão a passar por uma fase aborrecida no seu casamento. Procuram então um conselheiro matrimonial e é aí que se processam uns flashbacks que nos mostram como os dois se conheceram. É assim que começa o mais popular blockbuster em exibição nas salas portuguesas.
Apesar de ser normal cada pessoa ter os seus próprios segredos, Jane e John escondem um do outro a sua verdadeira ocupação: são ambos assassinos.
No meio de uma teia de mentiras e omissões, os dois vão ter de se enfrentar uma vez que descobrem que para sobreviverem necessitam matar o seu cônjuge.

Com dois dos actores mais cobiçados da sua geração, “Mr. & Mrs. Smith” tem todos os ingredientes para ser um sucesso de bilheteiras: tiros, explosões, grandes perseguições de carro e romance.
E este facto comprovou-se. O filme tornou-se um êxito instantâneo também pelos boatos que surgiram à volta do suposto romance entre os dois actores fora do ecrã.

Angelina Jolie está mais atraente e sexy que nunca e Brad Pitt consegue dar asas à sua faceta mais cómica. O par saiu-se bastante bem e mostrou ter uma química incrível, dando ao filme um ar bastante divertido.
“Mr. & Mrs. Smith” não vai permanecer na nossa memória por muito tempo mas serve para nos “deleitarmos” por um pouco.

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“Sin City” (2005), Robert Rodriguez /Frank Miller



O pecado mora ao lado

Três histórias interligadas que têm como pano de fundo a escura, corrupta e sinistra Sin City.
No centro da acção encontramos Marv (Mickey Rourke) que pretende vingar a morte da sua amada Goldie (Jamie King), Dwight (Clive Owen) que acidentalmente mata um polícia e Hartigan (Bruce Willis) que é injustamente preso por um crime que não cometeu.

Esta adaptação cinematográfica dos livros de banda-desenhada de Frank Miller conseguiu a grande proeza de transpor para o ecrã os ambientes da própria BD.
Inspirado nos filmes noir, “Sin City” é visualmente arrebatador: preto, branco e por vezes toques vermelhos são as únicas cores que compõem as imagens avassaladoras.

No entanto “Sin City” está longe de ser um grande filme.
Apesar do elenco de luxo, nenhum actor me parece dar alguma coisa à sua personagem que, mais que nunca, surgem como autênticos bonecos desprovidos de qualquer conteúdo.
As constantes vozes off também não ajudam em nada e acabam por se tornar bastante irritantes e enjoativas.

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