segunda-feira, fevereiro 14, 2005

"Ray"(2005), Taylor Hackford



I'm trying to do something ain't nobody ever done in music and business.

Ray Charles é um ícone incontornável da música por ter conseguido conciliar gospel, soul, r&b, jazz e country numa sonoridade única. Criou assim um novo estilo musical que, na sua época, foi considerado por muitos como um “som de Satanás” e demasiado sexual e, por outros, como um som libertador e inovador.

Tendo nascido numa cidade pobre, Ray desde cedo despertou um grande interesse pela música e pelo universo dos sons. Ficou cego aos 7 anos após ter sofrido um trauma ao ver o seu irmão mais novo morrer afogado. A partir daí a sua mãe sempre o incentivou a lutar pelos seus interesses e a nunca admitir que o tratassem como um inadaptado.

“Ray” retrata o percurso do músico até se tornar uma estrela internacional. Desde os tempos em que ninguém parecia acreditar nele, à passagem pelo vício da heroína, acabando nas inúmeras relações amorosas (mesmo estando casado), quase toda a vida do músico é explorada neste filme.

Jamie Foxx tem uma prestação notável, conseguindo captar a essência de Ray Charles e todos os seus “tiques”. Por vezes as semelhanças físicas e gestuais são assombrosas, de tão bem representadas que estão. Do músico frenético apaixonado pelo que faz mas que se deixa envolver pelos caminhos da droga, passando pelo homem das mil paixões, Jamie Foxx consegue na perfeição dar corpo a todas estas “facetas” de Ray Charles.

Como não podia deixar de ser, o filme tem uma excelente banda sonora que percorre os maiores êxitos do cantor. As cenas dos próprios concertos são as mais bem conseguidas do filme, que abusa, a meu ver, de demasiado sentimentalismo.
Não deixa por isso de ser uma boa “biopic” de um dos maiores músicos dos nossos tempos.

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