terça-feira, fevereiro 15, 2005

"Un long dimanche de fiançailles" (2005), Jean-Pierre Jeunet



O amor move montanhas

Depois do mega-sucesso “Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain”, Jean-Pierre Jeunet e Andrey Tatou voltam a encontrar-se num filme que nada tem a ver com o seu antecessor.
“Un long dimanche de fiançailles” fala-nos dos tempos da Primeira Guerra Mundial e da busca incessante que uma mulher, Mathilde, emprega à procura do seu noivo desaparecido nas trincheiras.

Mathilde (Andrey Tatou) e Manech (Gaspard Ulliel) são dois jovens separados pelo terror da guerra quando este último é chamado para ir combater pelo seu país.
Passado uns meses, Mathilde recebe a notícia de que o seu noivo morreu e começa então uma viagem tumultuosa à procura de Manech, viagem essa que tem como força motora o seu enorme amor por ele. Ela não acredita que o seu amado morreu pois se isso tivesse acontecido, ela própria iria senti-lo.
A determinação, carácter e força desta mulher são as próprias asas que ela ganha para ir ao encontro daquilo que ela tem de mais precioso na vida: o seu enorme amor.

A interpretação de Andrey Tatou é irrepreensível apesar de não ter o brilho e vivacidade da sua Amélie (é o estigma…). Jodie Foster também está muito bem no seu papel (apesar de curto e algo fugaz) ao falar um francês impecável , tal como todos os restantes actores secundários.

Um dos pontos fortes deste filme, senão o mais forte, é o seu aspecto visual. A fotografia em tons cinza para retratar a guerra, e em tons pastel para retratar a paz e o conforto do lar, são regalos para os olhos devido à extrema beleza que imanam.
Também as paisagens são arrebatadoras, principalmente as das cenas que sobrevoam o farol e os campos floridos.

O argumento é bastante confuso uma vez que tem demasiadas personagens e inúmeras histórias paralelas que só servem para baralhar o espectador. A certa altura, o filme torna-se bastante labiríntico com todos os episódios que vão surgindo para confundir os sentimentos e a esperança de Mathilde, mas que também acabam por baralhar e saturar o próprio espectador.

Algo que poderia ter sido um excelente exercício cinematográfico, falha pelo argumento e falta de profundidade em determinadas cenas. No entanto, não deixa de ser um bom filme, com grandes interpretações e uma soberba fotografia.
Merece ser visto, nem que seja só pela sua enorme beleza visual.

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