sábado, março 12, 2005

Concerto Keane - Coliseu dos Recreios 10 Março 2005


A guitarra invisível dos Keane

A estreia dos britânicos Keane pelos palcos nacionais era aguardada com muita expectativa, ou não estivessem os bilhetes já esgotados há várias semanas. O público esperava ansiosamente por ver ao vivo esta banda de três rapazes ingleses que conseguiram pôr o seu álbum de estreia nas tabelas dos discos mais vendidos e aplaudidos de 2004. A curiosidade para ver a magia deles era mais que muita, o que fez com que o Coliseu de Lisboa enchesse ontem à noite (10 Março).
Outra razão que acredito que possa ter contribuído para a grande afluência de público (ou pelo menos parte dele) foi o músico que assegurou a primeira parte do concerto: Rufus Wainwright.

Pela terceira vez no nosso país (depois do desastroso primeiro concerto no Festival de Vilar de Mouros de 2003 e do regresso bem aceite no ano seguinte na Aula Magna de Lisboa), Rufus Wainwright parece ter conquistado finalmente o público português. Sendo considerado um dos melhores songwritters dos dias de hoje, o músico canadiano veio apresentar ao nosso país o seu último trabalho, “Want Two” (álbum já considerado como um dos melhores do ano). Rufus começou a sua pequena actuação (de apenas 45 minutos) com a música introdutória do último trabalho: “Agnus Dei”, um cântico em latim com uma performance vocal arrepiante. Rufus tocou e cantou basicamente músicas do seu mais recente álbum mas foi sem dúvida com a música “Cigarettes and Chocolate Milk” do álbum “Poses” de 2002, que conseguiu fazer com que o público vibrasse e cantasse. A sua prestação vocal é irrepreensível e muito mais madura e segura comparada com a sua primeira incursão por terras lusas (ter a sua banda a acompanhá-lo também é um ponto a favor e tal não aconteceu em Vilar de Mouros).
Rufus Wainwrigth prometeu voltar em breve e em concerto próprio. O público agradece.




Passados uns longos minutos de espera ao som de músicas muito bem escolhidas, os Keane entraram a abrir com uma das melhores músicas do seu álbum: "Can´t Stop Now". Cativaram logo desde primeira música o público que esperava ansiosamente por um grande espectáculo. Os Keane não desapontaram, muito pelo contrário: mostraram ser uma banda bastante consistente ao vivo, com uma energia e poder muito maior do que estúdio. Na verdade, ao vivo as suas músicas ganham outra dimensão, muito mais forte e sonora. Não admira que não precisem de guitarras, conseguindo o piano de Tim Rice-Oxley soar de tal maneira forte e agressivo que torna qualquer guitarra inútil.
Com um só álbum para apresentar, os Keane tocaram praticamente todas as músicas do álbum de estreia “Hopes and Fears”. Apresentaram mais três músicas inéditas que possivelmente irão ser editadas num próximo trabalho em que a banda britânica já está a trabalhar. Uma das músicas é especialmente bonita, fazendo lembrar (e muito) as melodias estranhas e oceânicas dos Sigur-Rós.
Os momentos altos do concerto foram mesmo a balada “We might as well be strangers” e o mega-sucesso da banda “Somewhere only we know” (onde o público todo revelou num grande à vontade ao saber a letra de cor).
A meio do concerto o pano que servia de fundo ao palco deu lugar a um ecrã onde foram passando variadíssimas imagens desde histórias de encantar até paisagens cobertas de neve.
Tom Chaplin, o vocalista, mostrou ter uma belíssima voz, transparente como as suas músicas e letras.



O concerto foi bastante bom e superou as minhas expectativas. A banda britânica conseguiu provar e vincar o seu valor a nível musical mostrando como é possível fazer um grande álbum e um grande concerto apenas com uma voz, bateria, piano e um punhado de boas melodias e letras.
Agora é esperar e ver e evolução desta grande promessa da música europeia.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

es todo bom

2:07 da tarde  

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