quinta-feira, março 31, 2005

"Hotel" (2005) - Moby



Os quartos íntimos de Moby

Moby está mais intimista e introspectivo. E isso nota-se no seu último álbum, “Hotel”.
“Hotel” é inspirado na vida do seu autor, na música que este ouvia enquanto crescia, nas suas vivências. E por ser o seu álbum mais pessoal está também desprovido dos samplers que tanto caracterizavam os seus trabalhos anteriores. Em “Hotel” é unicamente Moby e a sua amiga de longa data Laura Dawn que dão voz aos temas cantados.
Enquanto que os anteriores “Play” e “18” estavam centrados em sonoridades ambientais e chill-out com alguns toques de gospel, hip-hop, soul, e tecno, “Hotel” é assumidamente mais rock.
Moby fez um disco bastante eclético onde podemos encontrar músicas de dança, rock e baladas sem fugir muito a uma certa linearidade que caracteriza a sua música. Ou seja, ao ouvirmos “Hotel” percebemos que houve uma viragem na sonoridade mas somos bem capazes de sentir e ouvir as marcas sonoras presentes na música feita por Moby já anteriormente. Apesar de ser um disco mais rock, com mais guitarras e influenciado pelo pós-punk, não deixamos de ouvir as típicas orquestras ambientais que tão bem estão presentes em todos os seus trabalhos.
Também é de realçar o cd2, “Hotel:Ambient” que podemos encontrar na edição especial do disco. São 11 músicas de música puramente ambiente, tal como o nome indica.

Destaques:

- Hotel Intro: :a música introdutória tem o mesmo nome que o álbum uma vez que é aqui que tudo começa. Nesta música instrumental somos como que confrontados com o passado visto ser a música que mais nos lembra o anterior álbum “18”. Suave e calma, é a música que nos inicia a viagem pelo “Hotel” de Moby.

- Lift me up: o single de apresentação não poderia exemplificar melhor o tipo de som que está representado ao longo do álbum. Apesar de não ser das melhores músicas, tem um refrão fantástico e viciante.

- Where you End: a melhor música e letra. Esta música pop com ressonâncias dos anos 80 concilia uma sonoridade dançante e vibrante com uma letra de amor e saudade.

- Temptation: cover da música dos New Order com o mesmo nome é substancialmente diferente da original. O êxtase da música original é aqui substituído pela calma e quietude de uma balada interpretada por Laura Dawn.

- Very: música mais dancável de todo o álbum. Pop electrónico que soa (e muito) a Goldfrapp nos seus delírios vocais e energia.

- I like It: considero esta música bastante sensual. Apesar de não ter uma letra muito composta, a dueto das vozes sussurrantes de Moby e Laura Dawn resulta magnificamente.

- Love Should: a melhor balada de todo o álbum. É aqui que Moby parece assumir todas as suas fragilidades uma vez que esta letra retrata uma relação amorosa vivida pelo próprio. Triste e nostálgica, é impossível ficar indiferente a esta balada.

- Homeward Angel: fecha-se o ciclo iniciado pela música “Hotel Intro”. A última música do álbum, à semelhança da primeira, é também apenas orquestral. O que uma inicia, a outra conclui. Mais intimista e melancólica que a primeira pois é aqui que a visita pelos quartos íntimos de Moby acaba.


O tão esperado novo trabalho de Moby não desilude. Apesar de não ter a força e magia dos seus anteriores sucessos “Play” e “18”, “Hotel” não deixa de ser um bom álbum com fantásticas músicas. Ao ouvirmos este “Hotel” percebemos o prazer honesto que Moby tem em fazer música. É um disco mais vulnerável por ser mais íntimo e pessoal, mas foi isso que o seu criador pretendeu.

7/10

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

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