domingo, maio 29, 2005

“Danny the dog” (2005), Louis Leterrier



Vida de cão

Danny (Jet Li) é um escravo que vive enclausurado numa jaula e que nunca recebeu qualquer tipo de educação nem nunca contactou com o mundo exterior. É tratado como um animal pelo seu “dono” Bart (Bob Hoskins) que apenas lhe ensinou a lutar e a matar. Danny é criado como uma máquina destruidora e usado em combates ilegais, fazendo Bart ganhar muito dinheiro. Depois de um acidente de carro no qual Bart fica em coma, Danny conhece um afinador de pianos (Morgan Freeman) que irá mudar a sua vida: através da música, Sam ensina a Danny as maravilhas do ser humano e a liberdade que este desconhecia que existia.

“Danny the dog” concilia artes marciais, romance, drama, violência e humor, tornando-se numa grande salganhada de géneros. O argumento é fraquinho e pouco verosímil.
Ponto de destaque: a banda sonora dos Massive Attack que apesar de boa, não consegue ser genial como os trabalhos anteriores.

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domingo, maio 22, 2005

"Mean Creek" (2005), Jacob Aaron Estes



If you could snap your fingers right now and he would drop dead in his tracks, would you do it?

O tema de jovens problemáticos já foi diversas vezes abordado nas mais variadas formas. O cineasta americano Larry Clark é um especialista em retratar o quotidiano dos jovens e os extremos das suas acções. “Mean Creek” faz precisamente lembrar o filme “Bully” de Clark uma vez que faz incidência ao tema da vingança imposta a um adolescente pelos seus colegas.

Numa escola no estado de Oregon, Sam é espancado por um rapaz cheio de arrogância e brutalidade. Depois de contar ao irmão mais velho o sucedido, este planeia com os seus amigos dar-lhe um castigo. Combinam então passear de barco no rio com o intuito de darem uma pequena lição e humilharem o rapaz.
No entanto as coisas não correm como o previsto porque começam a ver em George um rapaz também com as suas fragilidades e problemas e, no fundo,um ser humano como eles.
Esta viragem nos planos vai resultar num acontecimento marcante que vai determinar a vida de todos.

Através do silêncio das imagens e do brilho do rio (que acaba por se tornar sombrio), vemos assim uma juventude que parece estar eminentemente perdida.
O valor do peso da consciência e o assumir das responsabilidades pelos nossos actos são dois dos tópicos fulcrais neste filme independente americano.
A suavidade em que a narrativa desfila conjugada com a naturalidade das interpretações dos jovens actores e os pormenores simplistas transformam este filme numa agradável e bela surpresa.

“Mean Creek” é um olhar diferente sobre a adolescência e o difícil crescimento por que todos passamos.

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sábado, maio 21, 2005

"In good company" (2005), Paul Weitz



Boas companhias

Dan Foreman (Denis Quaid) é um homem de meia-idade que se vê na desconfortável situação de ser ultrapassado profissionalmente por um homem com metade da sua idade. Tudo isto acontece devido ao facto da sua empresa ser vendida a uma grande corporação.
Mas enquanto Dan mantinha relações amigáveis com os seus clientes e empregados, o seu novo patrão Carter Duryea (Topher Grace) adopta uma política de impessoalidade e despedimentos. Como se não bastasse, Carter começa a namorar com a filha mais velha de Dan, Alex (Scarlett Johansson).

“In good company” retrata a vida numa empresa e as relações pessoais que aí se vivem.
O contraste dos métodos de trabalho e ligações humanas entre Dan e Carter são mais que muitas: enquanto um representa o passado fiel e as negociações à base de confiança, o outro representa a modernidade, a frieza e a impessoalidade advinda da tecnologia.
Mas mais do que os problemas profissionais, este filme aborda também as questões das lutas entre gerações, conflitos familiares e problemas amorosos. Porque tudo isto faz parte da existência humana.

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domingo, maio 15, 2005

“A love song for Bobby Long” (2005), Shainee Gabel



Conta-me histórias

Depois de saber da morte da mãe, Purslane (Scarlett Johansson) regressa a New Orleans para reclamar a posse da casa que agora lhe pertence. O problema reside no facto da casa estar ocupada com um ex-professor de literatura que agora se dedica ao álcool (John Travolta) e o seu protegido que está e escrever um livro (Gabriel Macht). Estes dois estranhos que levam uma vida “preenchida” de inutilidades vão então ter que partilhar a casa com a jovem Pursy que acaba por se afeiçoar a eles.

Depois da estranheza e das hostilidades, Purslane acaba por mudar a vida daqueles dois homens que pareciam ter ficado perdidos e abandonados pela vida. Ela passa então a ser o centro da história uma vez que é a personagem que leva ao desenrolar de todo o filme. É Purslane que devolve a Bobby Long e a Lawson um novo sentido para a vida, um rumo que há muito era inexistente nas suas existências. Ela própria também procura um caminho e respostas do seu passado recente.

Não podemos falar neste filme sem fazer referência às interpretações dos três actores pincipais: John Travolta está exímio na sua interpretação de um alcoólico que perdeu todo o sentido da vida, Gabriel Macht tem também aqui uma boa actuação de um jovem que segue à risca os ensinamentos e a decadência do seu mestre e, por último, a lindíssima e iluminada Scarlett Johansson que dá a Purslane uma frescura imensa.

O filme ganha sobretudo por estas interpretações mas também pela realização simples e eficaz da estreante Shainee Gabel.
“A love song for Bobby Long” é um filme bastante simpático que nos mostra o reencontro da razão de viver por parte de cada uma das personagens.

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quarta-feira, maio 11, 2005

“The Jacket” (2005), John Maybury




What's wrong, Doctor, you look like you've seen a ghost...

Depois de regressar da experiência traumática da guerra, Jack Starks (Adrien Brody) fica com problemas psicológicos, nomeadamente com amnésia.
Jack é então acusado da morte de um polícia e é mandado para uma instituição para criminosos com doenças mentais. Nessa instituição é submetido a tratamentos pesados que incluem estar fechado durante horas numa gaveta, amarrado com um colete-de-forças.
Durante todo o processo de “cura”, Jack começa a ter visões do futuro e vê que vai morrer daí a quatro dias. Nas suas visões conhece uma bonita mulher (Keira Knightley) que poderá ser muito bem a sua única salvação.

“The Jacket” apresenta um argumento um pouco confuso mas de alguma maneira acaba por ser proveitoso pois capta uma maior atenção por parte do espectador.
Não é nenhuma obra-prima mas não deixa de ser um filme com ideias interessantes que exploram o subconsciente humano.
Adrien Brody mostra novamente que é um grande actor. E isso quase que basta.

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segunda-feira, maio 09, 2005

"Kasabian" (2005) - Kasabian



I know it´s only Rock&Roll but I like it…

Os Kasabian são bons. E eles têm a perfeita consciência disso pois em diversas entrevistas afirmam convictamente que são “a melhor banda britânica do momento”. Nada convencidos, portanto.
Claro que esta afirmação por parte da banda é um exagero mas, de facto, os Kasabian (tal como outras novas bandas inglesas) vieram mostrar que em Inglaterra se faz música muito boa hoje em dia. E não falo somente na nova onda de brit-pop que parece ter invadido (a ainda bem) o Reino Unido, pois os Kasabian não se enquadram nessa “categoria”. Aliás é um pouco difícil cataloga-los pois no disco de estreia homónimo eles conciliam rock&roll, electrónica e dão ares também de um revivalismo dos anos 70 e 80.

“Kasabian” comprova que o mítico Rock&Roll não morreu, pelo contrário: renasceu e modificou ligeiramente as suas sonoridades modernizando-se. Se “I.D” é explicitamente electrónica com toquezinhos funk fazendo lembrar “Some Velvet Morning” dos Primal Scream, as restantes músicas do álbum são herdeiras próximas do rock antepassado.

Destaques:

- Club Foot: o tema de abertura de um álbum é bastante importante porque nos dá a primeira impressão de todo o restante cd. Esta música é um eficaz primeiro tema,grande tónica dada ao riff do baixo. O refrão é por si só bastante potente.

- Processed Beats: talvez a música com o ritmo mais original e divertido.

-Reason is Treason: um rock dançante que, mais uma vez, faz lembrar Primal Scream.

- I.D: uma introdução de 1m46, esta é para mim a melhor música do álbum. Com grande componente electrónica, “I.D” mostra uma perfeita fusão entre um ritmo marcado pelas batidas de dança com um rock provocante. “Music is my whore”, afirmam os Kasabian no refrão.

-L.S.F: um excelente single de avanço para um álbum de estreia. Com uma melodia bem cativante apesar de repetitiva.

-Running Battle: mais uma vez uma forte carga electrónica misturada com influências e instrumentos de música oriental.

- Cutt Off: pelas semelhanças a nível das vozes de fundo, esta música parece ser a irmã próxima de “L.S.F”. Refrão bem cativante, para não variar.

Muito boa estreia para esta nova banda de Leicester. No entanto, “Kasabian” acaba por perder pontos ao mostrar-se um álbum um pouco repetitivo em termos de melodia e ao não conseguir equilibrar todas as músicas ao mesmo nível.
Mas mesmo assim, que venha o próximo!


8/10

quinta-feira, maio 05, 2005

“Crimson Gold/ Sangue e Ouro” (2003), Jafar Panahi



Um tiro no escuro

A minha primeira incursão pelo cinema iraniano foi uma tremenda desilusão. Alguma coisa se espera de um filme que os “entendidos” tanto elogiaram e que fez boa vista em importantes festivais de cinema. No entanto, “Crimson Gold” é um auntêntico “barrete” (para não dizer pior).

Hussein é um entregador de pizzas que vive no constante sentimento da humilhação e da discriminação social. Um dia o seu amigo Ali mostra-lhe um talão de um colar encontrado numa mala roubada, talão esse que apresenta uma grande soma de dinheiro. Hussein fica admirado e espantado por ver tão grandiosa quantia e decide ir com Ali à ourivesaria a que diz respeito o tal talão. Por causa das suas aparências, Hussein e Ali são escorraçados da loja.
Através do seu trabalho, Hussein tem a oportunidade de ver os contrastes da sua cidade, as diferenças entre os ricos e os pobres.
É o seu desespero perante as injustiças sociais que o levam a cometer o suicídio.

Envolto de cenas longuíssimas em que não acontece nada, “Crimson Gold” é um completo erro cinematográfico.
Kiarostami (o argumentista) conseguiu a fantástica proeza de escrever um argumento vazio e uma cena de 30 minutos em que não acontece absolutamente nada.
O interessante tema das discrepâncias sociais é tão mal trabalhado que não tem qualquer poder virtuosista para o filme.

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domingo, maio 01, 2005

“Casa de los babys” (2003), John Sayles



Six Women. One Dream.

Adoptar uma criança tem inúmeras implicações a nível burocrático e psicológico. O que o novo filme de John Sayles propõe é dar uma visão sobre este tema mas debruçando-se sob o ponto de vista das mulheres que pretendem adoptar e os seus conflitos interiores.

Seis mulheres viajam até ao México, Acapulco, para poderem adoptar bebés (legalmente). Todas com vivências e personalidades diferentes passam pela situação de terem que esperar meses até o governo mexicano lhes dar os bebés. Ao estarem todos os dias juntas, era inevitável o choque de egos entre elas. Apesar disso, todas lutam pelo mesmo sonho, o sonho da maternidade e de voltarem aos seus países com uma criança nos braços.

“Casa de los babys” centra a sua acção também em histórias paralelas, todas com o mesmo pano de fundo e que de uma maneira ou de outra se encaixam na história principal. Desde uma adolescente que engravida e que é obrigada pela mãe a dar o filho para a adopção, à luta diária dos órfãos que vivem pelas ruas da cidade, ao desempregado com a família para alimentar, à empregada de hotel que “perdeu” a sua filha para uma família adoptiva, todas estas histórias secundárias ajudam a completar o tema fulcral do filme e a fomentar a tensão dramática.

Contudo, o filme não consegue passar de uma boa premissa. As interpretações das seis principais actrizes são de algum relevo (com destaque para Lili Taylor, Marcia Gay Harden e Susan Lynch) mas há algo que parece faltar. Talvez se devesse ter dado uma maior importância aos conflitos interiores e aos sentimentos destas mulheres…
A acção desenrola-se lentamente demais e o fim insonso desilude.

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